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Já pensou sobre a procrastinação

Foto do escritor: Tamara Fagundes
Tamara Fagundes
14 de jul.
2 min de leitura

Costumo reler livros de que gostei muito. O que estou "relendo" agora é Aurora: O despertar da mulher exausta, escrito por Marcela Ceribelli, que também é criadora da OBVIOUS, podcast no qual também me perco, ouvindo e refletindo.

Como acontece com outros livros, também faço isso com este: leio partes dele, umas 10 ou 20 páginas por vez, de tempos em tempos. Não só para não esquecer, mas principalmente para ver se me ocorre uma reflexão diferente.

Ao chegar na parte em que ela fala sobre procrastinação, achei singular a forma como explica, por outro ângulo, esse conjunto de comportamentos que nos paralisa por um tempo indeterminado. Muitas vezes, a tal da procrastinação.

Algumas pessoas podem entendê-la como falta de vontade, falta de organização, falta de alguma coisa que nem se sabe ao certo o que é.

Mas, se pensarmos um pouco mais, o que vem antes? Assim como qualquer comportamento, existe um amontoado de emoções e histórias contando o motivo desse comportamento.

"E se eu tirar o projeto do papel e der errado? Não sei como vou lidar com a frustração."

Esse pensamento te parece comum? Na maior parte da nossa vida, tentamos evitar desapontar os outros e também evitar lidar com as emoções que o fracasso traz.

Mas procrastinar pode ser efeito de várias outras emoções que queremos evitar.

Por isso, mudando um pouco o ângulo...


Já pensou que, para algumas pessoas, pode faltar repertório para lidar com o sucesso, e que talvez seja por isso que o projeto nunca sai do papel?

Muitas pessoas evitam cumprir desafios, iniciar e terminar projetos ou resolver aquele assunto pendente por não saberem o que fazer com as emoções que vêm depois.

Como vou lidar com o novo? Se der certo? Se eu for reconhecida por algo? Se isso me trouxer uma condição financeira melhor para a minha vida, o que vou ter que mudar?

Vou ter que mudar? O que fazer com o novo?

Na relação terapêutica, é possível entender como sustentar as mudanças e compreender se o que te paralisa é o medo do fracasso ou do sucesso. Como lidar com as emoções quando elas chegarem. E até mesmo entender o que a procrastinação pode estar limitando você de alcançar, o quanto ela pode estar influenciando na sua vida profissional.

Esse processo todo não é só sobre tentar. É sobre sustentar o que você realmente quer.

"Começou uma nova semana, tudo vai ser diferente."

Se não sustentarmos isso todos os dias, respeitando as doses de mudança que conseguimos suportar, voltamos aos comportamentos e aos pensamentos que repetimos por tanto tempo.

O processo terapêutico é sobre isso. É sobre, semana após semana, falar e elaborar aquilo que precisamos mudar, até que possamos identificar formas de sustentar essas mudanças.

Não é só na segunda-feira que a mudança precisa começar. Ela precisa ser sustentada. E a dose diária de mudança, só você sabe qual é e em que momento ela pode aumentar.

 
 
 

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